ONU termina missão de paz na Libéria
23 de março de 2018A Libéria continua o seu caminho rumo à mudança. No final de 2017, elegeu George Weah, ícone do mundo do futebol, para a presidência do país. Agora, e depois de quase 15 anos, chega ao fim a Missão das Nações Unidas na Libéria (UNMIL).
Quando os "capacetes azuis" chegaram ao país, o país vivia dias sombrios e a Libéria era vista como a região mais preocupante do continente africano. Mas passada uma década, a missão da Organização das Nações Unidas (ONU) ajudou a restaurar a paz e a estabilidade.
E os liberianos reconhecem o impacto das Nações Unidas no país. "Quero agradecer à ONU porque esteve aqui durante a nossa crise. Tivemos umas eleições bem sucedidas e temos agora um novo governo", destaca Mohammad Sambola.
Também o cidadão Yassa Brown concorda que a ONU teve um grande impacto na Libéria. "Trouxe aos liberianos a oportunidade de voltar à escola e a esperança num futuro melhor", afirma.
"Sei que as Nações Unidas não podem continuar aqui, mas continuaremos a resolver os nossos problemas", diz ainda a liberiana Rachel Parker em entrevista à DW África.
Segurança nas mãos do Governo
O fim da missão das Nações Unidas deixa agora a segurança da nação nas mãos do governo. A participar numa conferência no país, a secretária-adjunta da ONU, Amina Mohammed, pediu esta quinta-feira (22.02) a implementação das recomendações da Comissão da Verdade e Reconciliação, criada em 2009.
Amina Mohammed advertiu ainda que a paz "permanecerá frágil" na Libéria, enquanto as pessoas se sentirem excluídas da vida económica e política do país e enquanto a corrupção enfraquecer a confiança nas instituições".
O analista Samuel Korga frisa a importância da intervenção da ONU na Libéria, lembrando que, nos últimos 15 anos, o país levou a cabo três eleições bem sucedidas. Mas alerta também para a necessidade de se preencher a lacuna que a saída da UNMIL deixa no país.
"Um dos problemas que poderá surgir é uma crise financeira, porque a maioria dos funcionários da missão da ONU comprava os seus produtos aqui, alugava as suas casas a habitantes da Libéria, e por isso a sua partida pode ter alguma influência na economia", explica.
Entre 2003 e 2018, integraram a missão da ONU na Libéria 126 mil militares, 16 mil polícias e 23 mil funcionários. Apesar do contributo para a restauração da paz no país, a missão fica, no entanto, manchada pela denúncia de casos de violência sexual.