Clonagem de embriões condenada na Alemanha
15 de agosto de 2004Anúncio
Após a clonagem de embriões ter sido autorizada na Grã-Bretanha, um caso inédito na Europa, organizações médicas alemãs exigiram uma proibição internacional de clones. O Conselho Federal de Medicina da Alemanha quer um acordo internacional, que proteja os embriões de qualquer tipo de intervenção científica. "Tanto a clonagem para gerar uma vida humana como para fins científicos deveria ser punida como crime", declarou o presidente do Conselho, Jörg-Dietrich Hoppe.
Liberdade é fachada
— A associação de médicos Marburger Bund defendeu a criação de uma lei européia para proteção de embriões: "Por trás da fachada da liberdade de pesquisa, a ciência está minando a dignidade humana", criticou o presidente da instituição, Frank Ulrich Montgomery.Quebra de tabu
— A decisão britânica também gerou grande indignação entre os políticos alemães. Os parlamentares consideram o precedente britânico uma inaceitável quebra de tabu. "Esta é a primeira vez, depois de 1945, que a vida humana pode ser alvo de abuso para fins de pesquisa", declarou Hupert Hüppe (CDU), vice-presidente da comissão de ética do Parlamento alemão.Mobilização internacional
— A presidente da Comissão de Direitos Humanos do Bundestag, Christa Nockel (Partido Verde), também advertiu contra a violação da dignidade humana por meio de experimentos científicos. Ela exigiu que os políticos alemães mobilizem os países que já haviam se pronunciado contra a clonagem no passado. Nickels discorda do argumento de que a engenharia genética seja importante para a Alemanha como setor de pesquisa, lembrando que a descoberta da remédios para diversas doenças vem sendo possível com outros métodos.Aliança com Paris
— A oposição democrata-cristã criticou o governo alemão por falta de clareza nesta questão. O encarregado de engenharia genética da bancada de social-cristãos e democrata-cristãos no Parlamento, Helmut Heiderich, exigiu que a coalizão de social-democratas e verdes se junte à França para reintroduzir nas Nações Unidas a discussão sobre ética biológica.O precedente britânico
— Em meados desta semana, autoridades britânicas haviam autorizado pela primeira vez a clonagem de embriões humanos para fins de pesquisa. Cientistas de Newcastle, no norte da Inglaterra, querem substituir o material genético do óvulo pelo material de células de doadores, a fim de se poder retirar do embrião produzido artificialmente as novas células-tronco. Isso ocasiona a morte do embrião. O propósito disso é a pesquisa sobre novas formas de tratamento de diabete. A licença concedida aos pesquisadores tem validade de um ano. Na Grã-Bretanha, a clonagem é permitida, em princípio, mas cada caso precisa receber uma autorização explícita.Anúncio