Global Media Forum
3 de junho de 2009Na Alemanha, quase 100% dos adolescentes entre 14 e 19 anos têm alguma forma de acesso à internet. Há dez anos, essa cifra era de 5%. Nunca antes na história da humanidade, um meio de comunicação de massa cresceu tão rapidamente quanto a internet.
Mas o que os adolescentes estão fazendo na web? Apenas teclando em sala de bate-papo, assistindo a vídeos através do portal YouTube ou brincando de jogos eletrônicos como o World of Warcraft? Ou estaria surgindo algo novo? Pode-se falar de uma cultura de mídia juvenil?
Reunidos em Bonn, especialistas e representantes da mídia tradicional e eletrônica discutiram no Deutsche Welle Global Media Forum se, para os jovens de hoje, as novas mídias seriam somente entretenimento ou um meio de comunicação que, através de ferramentas interativas e das possibilidades de formação de redes sociais virtuais, faz as mídias tradicionais parecerem desinteressantes.
Informação versus entretenimento
Para a norte-americana Susan Gigli, executiva-chefe de operações da agência de pesquisas e análises de mídia InterMedia, a primeira pergunta a ser colocada é se existe uma cultura juvenil de mídia. A resposta, para ela, é clara: sim.
Jovens são abertos a mudanças e inovações, têm um otimismo inerente e são bastante sociáveis, usando a mídia, entre outras coisas, para distribuir conteúdos. Mas tal cultura não é completa, pois estaria distante de ser universal, já que está sujeita a diferenças de gênero, sócio-econômicas, educacionais, étnicas etc.
Gigli afirma que, de fato, a maioria dos jovens usa as novas mídias para seu entretenimento. A grande questão seria, no entanto, como levar a informação a eles.
Plataforma certa com conteúdo certo
Para Guido Baumhauer, diretor de estratégia, marketing e distribuição da Deutsche Welle, se uma história é boa, ela deverá agradar a todos, jovens ou adultos. A internet, todavia, transformou a mídia linear, que ditava o que devíamos ver ou ouvir, em não linear, mudando a forma de acesso ao conteúdo.
O que antes era uma emissora é hoje uma produtora de conteúdo, afirma Baumhauer. Não se fala mais em transmissão de mensagens, mas em distribuição das mesmas. Através das novas mídias, todos podem ser consumidores e também produtores de conteúdo.
Paralelamente às empresas de mídia, há hoje uma imensa quantidade de websites, podcasts e blogs produzidos por indivíduos, grupos e organizações. Como é possível então para a mídia tradicional levar informação de qualidade aos mais jovens?
Para Baumhauer, a resposta está na produção de conteúdos que podem servir ao maior número possível de plataformas. A solução estaria em combinar a plataforma certa (internet, celular, rádio, TV) com o conteúdo certo.
Como exemplo, Baumhauer citou o sucesso dos weblogs no Irã, que exerce forte censura sobre as mídias tradicionais, como jornal, rádio e TV. Já a internet, argumenta, não é tão controlada quanto na China, por exemplo. Em um país como o Irã, a web seria uma plataforma mais adequada que o rádio para atingir um público mais jovem.
Informações de base
Brooke Unger, correspondente da revista The Economist na Alemanha que participou do painel de discussões, explicou que a publicação, apesar de representar a imprensa tradicional, faz um grande sucesso entre os jovens. Sua circulação chegou mesmo a dobrar nos últimos dez anos.
Para a pesquisadora da InterMedia, o segredo do sucesso da The Economist está no fato de ter uma linha clara e produzir conteúdo de qualidade, com informações de base, que continuam sendo necessárias e bem-recebidas pelos mais jovens.
Autor: Carlos Albuquerque
Revisão: Rodrigo Abdelmalack